Palestrante x Igreja

Ontem, 23 de maio de 2007, fui ministrar uma palestra no Colégio Lemos de Castro (Madureira – Rio de Janeiro – RJ) e passei por uma experiência até então inusitada.  Fui muito bem recebido pelo professor André Castro, organizador do evento, e pela instituição de uma forma geral.  Havia estacionamento próprio, com um zelador muito gentil e ao lá chegar todos iniciaram os preparativos para a palestra de forma muito dedicada e eficiente.
O fato de o auditório ter sido improvisado não é problema pois, por várias vezes já ministrei palestras nestas condições, ou até piores, mas vou relatar primeiro o auditório para que você entenda onde estava o problema.  A instituição não possui auditório, então improvisou um na quadra de esportes.  Como disse anteriormente, isso não seria um problema, visto que o improviso foi muito bem feito, havia até uns tapumes nas laterais para isolar a quadra no resto do parque esportivo, muito bom mesmo.
A dificuldade começou com o som.  Para uma quadra daquele tamanho, o ideal é que houvesse uma mesa de som e várias caixas pequenas espalhadas pela quadra.  Até haviam as caixas, mas não a infraestrutura de mesa de som para ligá-las, então optaram por colocar uma imensa caixa de som próximo ao palco e gastamos meia hora para conseguir alinhar de modo a ficar no volume máximo possível a não gerar microfonia.  Estávamos adiantados no tempo e pudemos fazer isso com calma.  Tivemos todos os problemas possíveis, porém todos foram contornados, com interferência nos microfones sem fio por causa da grande caixa de som, por causa das cadeiras metálicas e até por interferência EM do local.  Depois de vencidos todos esses obstáculos faltando meia hora para o início da palestra, pensávamos estar tudo resolvido (eu e o técnico de áudio da instituição).  Definimos uma distância segura a qual eu deveria ficar atrás da caixa de som, de modo a não dar microfonia ou interferência EM.  O espaço era grande, deu para organizar bem e estávamos satisfeitos.  Agora era só esperar o horário de início.
Dado o horário, o organizador pediu para postergarmos um pouco para aguardar a chegada de mais turmas.  Até aí tudo certo.  Até que iniciamos a palestra.
O professor André Castro me apresentou à audiência e então comecei a apresentação.  Acontece que, bem próximo à instituição há uma igreja, a Assembléia de Deus em Madureira que iniciou o culto no mesmo momento que eu.  O som deles era bem mais potente que o meu, fazendo um efeito engraçado: O público ouvia minha voz, pois eles estavam diante da caixa de som e bem próximos a ela.  Apesar de a música da igreja entrar bem alto, eles conseguiam distinguir a minha voz com perfeição.  Eu estava atrás da caixa e sem retorno, ou seja, além de não ouvir a minha voz, a música entrava a todo volume em meus ouvidos.  Para você entender bem a situação, imagine-se falando a frase: “O Windows Vista é o sistema operacional mais seguro que existe no momento” mas, no lugar de ouvir isso, é como se estivesse fazendo mímica e o feedback de sua frase fosse “e o Senhor da igreja veio para restaurar, bendito Senhor é o seu nome…”
O show não pode parar!  Fiz um esforço hercúleo para não me perder em meio às minhas inaudíveis palavras e passar ao público a informação a qual me propunha.  Vez ou outra comentava algo do tipo “que bom que a Fernanda Brum parou de cantar agora conseguimos prosseguir com mais tranqülidade”.  Mas parece que ela percebia quando eu falava isso, e começava a cantar de novo!
Nos momentos de pregação, o som ficava mais ameno e não nos atrapalhava tanto.  Ligando para a amiga cantora/pastora, descobri, por meio de sua assessoria, que ela não se apresentou na referida igreja ontem, então era alguma cantora fazendo cover dela.  Uma pena, minha namorada disse que, se fosse ela, eu poderia dizer que dividi o palco com a Fernanda Brum!
Dividindo ou não, prossegui em meu intento e atingi o objetivo.  Das 110 fichas de avaliação recolhidas, apenas um engraçadinho reclamou de não estar ouvindo bem, fazendo uma charge muito bonitinha e me entregando ao final do evento.  Eu devia ter guardado…  Aproveito para parabenizar a audiência, que foi excelente em sua participação e entisuasmo e a que, até hoje, fez as perguntas mais inteligentes.  E também agradecer ao convite do professor André Castro e toda a boa receptividade da instituição.
Como evangélico, mais uma vez pude sentir na pele o motivo pelo qual as pessoas tanto reclamam das igrejas.

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